Capítulo 3

Acordei,me levantei e fui olhar a janela.O sol brilhava fraco,ainda devia ser bem cedo,então fui tomar um banho enquanto esperava dar a hora do café da manhã.Depois do banho a empregada veio me ajudar a me arrumar,depois fui à minha penteadeira e peguei meu perfume preferido e o borrifei.Ele é de rosas vermelhas com tulipa,um aroma extremamente agradável.
Depois desci as escadas para tomar café,Brigith já estava lá,assim como meus pais.
- Bom dia filha. – Disseram papai e mamãe.
- Bom dia.Bom dia Brigith. – Falei.
- Bom dia alteza.
- Dormiu bem querida? – Perguntou meu pai.
- Sim,consegui descansar bastante. – Respondi.
- E você Brigith? – Perguntou mamãe.
- Dormi bem majestade,obrigada. – Respondeu Brigith.
- Que bom,nós torcemos muito para que você goste de morar aqui.Nós sabemos que é difícil se mudar para um lugar que você nunca viu,mas nós vamos fazer o possível para que você se sinta bem,afinal Angélica falou que você é a melhor amiga dela,e nós tratamos bem os amigos de nossa filha. – Disse mamãe.
- Eu agradeço a compreensão majestade.Tenho certeza que vou gostar de morar aqui,pelo pouco que vi enquanto chegávamos parece ser um lugar encantador. – Disse Brigith.
Tomamos nosso café tranquilamente,depois eu estava indo caminhar pela redondeza quando minha mãe me chamou.
- Filha,gostaria de conversar com você.
- Pode falar mãe.
- Venha,vamos para a sala de estar. – Chamou minha mãe. Brigith veio conosco.
Eu e Brigith nos sentamos no sofá e minha mãe se sentou no outro sofá que era menor e ficava de frente para nós.
- Bom,eu tive a idéia de fazer uma grande festa de boas vindas para comemorar a sua volta.Vamos chamar toda a corte e familiares,vai ser uma festa fabulosa. – Dizia minha mãe com os olhinhos brilhando.
- Por mim tudo bem.Vai ser bom rever as pessoas. – Disse.
- Que bom que você gostou da idéia.Vamos começar a planejar então? – Perguntou minha mãe.
- Na verdade agora eu queria andar um pouco pela redondeza,mas a senhora e Brigith podem ir pensando em algumas coisas,depois vocês me avisam. – Falei.
- Não quer que eu lhe acompanhe alteza? – Perguntou Brigith.
- Não é necessário,fique aqui ajudando minha mãe. – Falei e Brigith concordou com a cabeça.
- Mãe,se importa se eu pegar um cavalo emprestado? – Perguntei já de pé.
- Não filha,pode pegar.Bom passeio.
- Obrigada. – Falei,dei um beijo nela,acenei para Brigith e fui ao celeiro escolher meu cavalo.
Chegando no celeiro,encontrei uma grande variedade de cavalos,de várias raças e de várias cores.Tinha brancos,pretos,marrons,cinzas,malhados.Tinha raças como Andaluz,Anglo-Árabe,Árabe,Berbere,Crioulo,Hunter,Orlov Trotter,Paso,Saddlebred.Diante de tantas opções optei pelo Berbere.O Berbere não impressiona a primeira vista:tem a garupa caída,a cauda de implantação muito baixa,e uma cabeça sem nada de especial,com formação craniana que se assemelha a dos cavalos primitivos. Não obstante,a resistência e o vigor do Berbere são ilimitados,indicando uma disposição à toda prova.

É um cavalo de excepcional agilidade,capaz de cobrir com grande velocidade distâncias curtas.Ele tem mais ou menos um metro e meio de altura e sua cor é castanho.
Montei no Berbere e saí a meio galope.
A sensação mais incrível do mundo é montar em um cavalo e sair sem destino, você se sente livre, o vento ao meu redor parecia dançar ao som da suave musica dos cascos tocando o chão.
A paisagem dançava no mesmo ritmo, as cores viraram um borrão e tudo que eu sentia, era paz.
Percebi que meu cavalo sentia o mesmo, fomos ganhando velocidade, até que não tinha mais idéia de onde estava
Mas mesmo assim, não senti medo, sabia que se estivesse junto com esse Berbere incrível, eu estaria segura. Eu confiava nele, e ele confiava em mim.
Depois de um longe tempo cavalgando sem rumo,decidi parar para dar descanso ao Berbere.Era um dia quente de verão,a paisagem das terras do reino eram incríveis.
Desmontei,e fui puxando Berbere comigo pelas rédeas,estava procurando uma árvore com uma grande sombra para sentar e apenas apreciar a luz do sol tocando as cores e deixando tudo com mais vida.
Enquanto caminhava,percebi que não havia nenhum identificação no cavalo que havia pego.Observei-o,seu pelo era demasiadamente brilhante,e seus olhos estavam alertas,ele saberia agir se precisasse,eu sabia disso pois quando pequena,me lembrava de quando papai mandara treinar todos os cavalos.
Como deveria chamar esse incrível cavalo?
Minha mente estava a mil, me sentia ligada a ele, e acreditava que ele sentia-se ligado a mim.
No momento, estava distraída demais para perceber o que estava na minha frente, acabei trombando em um homem que estava de costas a mim...
- Desculpe-me. – Falei rapidamente,me virando para ver quem era.
- Você precisa prestar mais atenção por onde anda. – Falou rudemente o garoto que aparentava ter uns 19 anos.
- Mais uma vez peço desculpas por ter esbarrado em você.Mas o cavalheiro poderia ser um pouco mais educado não acha? – Perguntei.
- Não é da sua conta se eu sou educado ou não. – Respondeu no mesmo tão rude de antes.
Tudo bem,aquilo foi demais pra mim,estalei meus lábios,coisa que sempre fazia quando estava com raiva,e encarei aqueles olhos frios.
- Pois bem senhor,mas ser gentil com as pessoas é uma questão de ética,se não o pratica com uma pessoa que apenas esbarrou em você e pediu as mais sinceras desculpas mais de uma vez,apenas posso supor que o senhor não possui ética,ou pelo menos,os bons modos necessários para se relacionar com as pessoas.Com licença,mas preciso tomar meu caminho. – Falei.
Essa última parte teria sido perfeita,se ao menos eu soubesse onde estava e aonde deveria ir para chegar em casa.Apenas me virei para Berbere e dei as costas ao homem rude.
- Você não parece que sabe para onde está indo. – Falou o tal homem,me virei e vi que ele estava encostado em uma arvora me olhando com um sorriso cínico no rosto.
- Sei absolutamente para onde estou indo. – Disse e me virei para continuar caminhando com Berbere.
- Tenho,muito obrigada. – Falei e comecei a caminhar com Berbere.
- Pois saiba que está indo pelo sentido contrário ao castelo,nessa direção você vai parar nas Ruínas de Marvo. – Disse o garoto.

Parei e fiquei pensando por alguns segundos,não queria admitir que estava perdida.Não para ele.
- Como vou saber se você não está me falando isso,só para se vingar de mim por eu ter esbarrado em você,e ter falado que você não tem educação?O que não é nenhuma mentira. – Dei um sorriso quando falei isso. - Você não me parece uma pessoa confiável. – Falei agora voltando a olhá-lo.
- Tudo bem,você é quem sabe.Mas não diga que eu não avisei. – Disse ele com um sorriso e um olhar de superioridade.
E agora?O que vou fazer?Não posso dar o braço a torcer e admitir que estou perdida.Mas e se ele realmente estiver mentindo e estiver falando isso só por vingança?Percebi que enquanto pensava nas possibilidades,eu continuava parada,e isso só mostrava para ele a minha insegurança.Então decidi que não ia lhe dar ouvidos.Comecei a caminhar com Berbere pelo caminho que eu achava que era o caminho certo.
Estávamos andando por mais ou menos uma hora e tudo que se via era,árvores e mais árvores,nenhum sinal de civilização.Além do desespero que já estava começando a tomar conta de mim por eu estar perdida,eu tinha a estranha sensação de estar sendo seguida.Olhei para os lados e para trás para ver se via alguém ou algum animal,mas não vi nada.Devia ser o medo que já começava a afetar minha racionalidade.Afinal não era para menos,eu estava sozinha no meio de uma floresta,totalmente perdida.Berbere também já começava a ficar inquieto,acho que meu nervosismo também estava o afetando.
- Calma Berbere,está tudo bem.Está tudo sobre controle. – Falei acariciando-o.É claro que não estava tudo bem,muito menos sobre controle,mas eu não queria deixá-lo nervoso.
Continuamos caminhando por não sei mais quanto tempo,o sol já estava começando a se por,a floresta estava ficando cada vez mais escura e fria,meu desespero estava aumentando,Berbere já estava voltando a ficar inquieto,e a minha sensação de estar sendo seguida ainda não tinha passado,e isso só piorava as coisas.
- É Berbere,estamos perdidos. – Falei e ele relinchou.
- Calma,vai ficar tudo bem.Meus pais já devem estar mandando alguém vir nos procurar,logo,logo seremos encontrados. – Falei acariciando eu focinho.
Ouvi uma risada.Fiquei estática.O que era isso?Olhei para os lados,e nada vi.Devo estar ficando louca.
- Pelo visto você não tinha tanta certeza assim quando falou que sabia para onde estava indo. – Falou alguém saindo de trás das árvores.Eu sabia de quem era aquela voz,tinha a escutado mais cedo.
- O que você está fazendo aqui? – Perguntei.
- Eu queria ver você admitir que está perdida. – Falou.
- Você estava me seguindo? – Era só o que me faltava.
- Acho que pode se dizer que sim. – Ele falou nunca deixando o tom arrogante de lado.
- Qual é o seu problema?Primeiro fica todo ofendido só porque eu esbarrei sem querer em você,e agora está me seguindo. – Falei,realmente eu não estava entendendo nada.
- Como eu já disse,eu queria ver você admitir que está perdida.Acredite,sua cara de medo é impagável. – Ele disse e depois gargalhou.
Não acredito nisso.Esse garoto está se divertindo as minhas custas!Minha paciência foi ao limite.
- Bom,agora que já se divertiu,está esperando o que para ir embora? – Perguntei agora com o mesmo tom de arrogância que ele.Eu não costumo falar nesse tom com as pessoas,mas não tinha como não falar assim com ele.

- Eu já estava indo,mas antes,tem certeza de que não quer saber qual é o caminho certo? – Ele me perguntou.
Bom,não adianta mais eu falar que sei o caminho,porque ele já descobriu que eu não sei.Por mais que eu não queira,acho que está na hora de deixar o orgulho um pouco de lado.
- Qual é o caminho? – Perguntei.
- Não sei por que,mas eu tenho a impressão de que mesmo eu explicando você vai acabar se perdendo.Você não parece que tem um senso de direção muito bom. – Ele falou rindo.
Minha raiva estava aumentando cada vez mais,se é que isso é possível.
- Não precisa me dizer,alguém já deve estar me procurando e logo,logo serei encontrada.Pode ir embora. – A essa hora minha boa vontade de deixar o orgulho de lado foi para os ares.Me sentei no chão,me encostando em uma árvore para esperar até que alguém chegue,Berbere se sentou ao meu lado.Eu sabia que meu vestido ficaria sujo e que minha mar brigaria comigo por isso,mas eu já estava cansada de tanto andar,e Berbere também.
- Tem certeza?Não acho seguro donzelas ficarem sozinhas em uma floresta,ainda mais que já está de noite. – Falou ele ainda com um sorriso nos lábios.
Chega!
- Não perguntei sua opinião. – Falei mais rude do que da primeira vez.Como eu já disse antes,eu não costumo falar assim com as pessoas,e nem gosto,acho uma tremenda falta de educação,mas esse garoto estava me tirando do sério,ele estava passando dos limites,se aproveitando da minha situação para se divertir.
- Olha quem é que está sendo mal educada agora! – Ele exclamou arqueando uma sobrancelha.
- Você não disse que estava indo embora? – Perguntei.
- Belo cavalo. – Disse se aproximando de Berbere e o analisando melhor.
- Obrigada. – É impressão minha ou ele mudou de assunto?
- Acho que está explicado o por quê de você ter se perdido.Os Berberes costumam ser rápidos,é preciso atenção quando está cavalgando com um Berbere,o que parece que você não tem muita. – Ele disse ainda olhando para Berbere.
Eu resolvi ignorar esse último comentário.
- Você não respondeu minha pergunta. – Ele agora voltou sua atenção para mim. – Você não disse que estava indo embora? – Perguntei novamente.
- Realmente. – Ele olhou novamente para Berbere,depois para mim e foi indo embora,mas logo depois de alguns passos ele se virou e disse: - Continue seguindo em frente,você vai reparar que vai começar a aparecer árvores mais baixas,siga a trilha delas,não desvie do caminho ou irá se perder novamente.Se seguir as árvores baixas chegará logo no castelo. – E falou e foi embora sem me dar tempo de dizer “Obrigada”.
Me levantei,Berbere fez o mesmo e começamos a andar pelo caminho que o garoto tinha falado.Logo avistei as tais árvores,quando encontrei dois guardas no caminho.Como eu havia pensado.Meus pais já estavam mandando alguém vir me procurar.
- Alteza,está tudo bem?Está machucada? – Perguntou um dos guardas.
- Está tudo bem,não se preocupem,não estou machucada. – Disse.
- Então vamos pois seus pais estão preocupados.
Assenti e os segui com Berbere ao meu lado.Não demorou muito tempo e já estávamos no castelo,um dos guardas levou Berbere para o estábulo,enquanto o outro guarda me acompanhava pelo castelo,meus pais estavam nos esperando no salão de entrada.
- Mãe,pai! – Corri para abraçá-los.

- Filha! – Eles falaram em uníssono e me abraçaram. – Ficamos tão preocupados,você está bem?
- Estou sim,eu só estava distraída cavalgando com Berbere,quando vi que não sabia como voltar,então comecei a caminhar pelo caminho que eu achava que era o certo,até encontrar os guardas no meio do caminho que me trouxeram de volta. – Falei.
- Tome mais cuidado da próxima vez,agora suba,tome um banho e desça para o jantar. – Disse mamãe.
Fiz o que ela disse,fui para o meu quarto,tomei um banho e desci para ir jantar.Só depois que minha mãe falou em jantar que eu percebi que estava morrendo de fome.
Fui para a sala de jantar e me sentei junto com minha família e Brigith.
- Filha enquanto você estava fora,eu e Brigith acertamos os detalhes para sua festa.Amanhã já vamos mandar os convites,e quanto a decoração,escolhemos aquele jogo de louça de porcelana com detalhes em ouro,a toalha de mesa eu pensei em ceda rosa,e ainda precisamos fazer um vestido novo para você. – Disse mamãe enquanto jantávamos.
- Tudo bem,adorei a decoração. – Falei.
Ficamos conversando mais um pouco sobre a festa durante e também depois do jantar.Depois me despedi de meus pais e de Brigith e fui me deitar,estava exausta,hoje o dia foi longo.
Me deitei e me lembrei das conversas malucas que tive com aquele garoto.Espero não encontrar mais com ele pelas redondezas,ele é arrogante demais.Não demorou muito e eu acabei dormindo.

Descubra mais no próximo capítulo de....
História de Amor!

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